EUA Retiram Ministro Alexandre de Moraes e Esposa da Lista de Sanções da Lei Magnitsky

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro Alexandre de Moraes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro Alexandre de Moraes

Medida ocorre após meses de tensão diplomática e sinaliza distensão entre governos Trump e Lula.

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira (12), a retirada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e do instituto da família do magistrado da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. A norma americana permite a aplicação de sanções financeiras e de viagens a indivíduos acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.

A remoção foi formalizada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA, que não detalhou publicamente as razões para a decisão. A medida marca uma significativa virada no cenário diplomático, que viveu meses de atrito após a inclusão do relator da ação penal da trama golpista no STF na lista de sanções, em julho deste ano.

Na ocasião, a justificativa americana citou a atuação de Moraes no processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, ação qualificada pelo governo Trump como uma “caça às bruxas”. A sanção, que impõe bloqueio de bens e contas em território americano e proíbe transações com cidadãos dos EUA, levou ao cancelamento dos cartões de crédito do ministro no Brasil.

A tensão começou a se dissipar após uma série de encontros entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O primeiro contato direto ocorreu em 23 de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Desde então, os líderes mantiveram conversas telefônicas e um encontro pessoal em Kuala Lumpur, em outubro, com a pauta das sanções no centro das discussões. O chanceler Mauro Vieira também pleiteou o fim das medidas junto ao Secretário de Estado Marco Rubio.

A inclusão de Moraes na lista havia sido alvo de críticas até de setores que originalmente defendem a Lei Magnitsky. O ativista britânico Bill Browder, um dos idealizadores da lei, classificou a sanção ao ministro como um uso “político e injusto” do instrumento, originalmente criado para punir responsáveis pela morte do advogado russo Sergei Magnitsky e posteriormente ampliado para violações de direitos humanos e corrupção global.

A retirada das sanções contra Moraes é vista como um passo concreto no restabelecimento das relações bilaterais, que foram sobrecarregadas não apenas pela questão do ministro, mas também pela imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras, medida também revisada recentemente. Especialistas em política internacional avaliam que o gesto abre caminho para uma nova fase de diálogo entre Brasília e Washington.

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