Projeto de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto une estudantes e comunidade, já beneficiou mais de 150 pessoas em João Monlevade e consolida a universidade como espaço de inclusão, saúde e cidadania
JOÃO MONLEVADE (MG) – Em uma cerimônia marcada pela emoção e pelo reconhecimento à perseverança, o Projeto de Esportes Universitários – Taekwon-do da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), campus João Monlevade, alcançou um momento histórico com a graduação de seu primeiro faixa-preta. O protagonista da conquista é o aposentado Paulo Pereira da Silva, de 68 anos, cuja trajetória simboliza a capacidade transformadora da extensão universitária.
A graduação foi concedida pelo Grão-Mestre José Sérgio Grijó Cavalcanti (7º Dan), que reconheceu a dedicação, a evolução técnica e o compromisso do novo faixa-preta com os princípios da arte marcial coreana. O projeto é coordenado pelo professor Juan Carlos Galvis Manso e tem coordenação técnica do psicólogo Elizeu Antônio de Assis (3º Dan).
Mais do que uma conquista individual, a graduação representa um marco para um projeto de extensão aprovado pela UFOP em 2022 e que permanece em atividade. A iniciativa foi criada para oferecer treinamento sistemático de Taekwon-do a estudantes do Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas (ICEA) e, simultaneamente, abrir as portas da universidade para jovens da comunidade, promovendo saúde, educação, convivência e inclusão social.
Uma conquista que ultrapassa o esporte
A história de Paulo Pereira tornou-se o exemplo mais evidente da capacidade do projeto de ampliar seu alcance social. Embora o público-alvo inicial seja formado por estudantes universitários e jovens da comunidade, o programa passou a acolher participantes de diferentes faixas etárias, demonstrando que o esporte pode ser uma ferramenta de transformação ao longo de toda a vida.
Na última semana, por exemplo, o projeto recebeu uma nova participante: Dona Imaculada, que iniciou suas atividades acompanhada dos netos, reforçando o caráter intergeracional da iniciativa.
Segundo a filosofia do Taekwon-do, a faixa-preta não representa o fim da caminhada, mas o início de um aprendizado mais profundo. Mestres como General Choi Hong Hi, fundador da modalidade, e Jhoon Rhee, um dos principais difusores da arte marcial no Ocidente, defendem que o verdadeiro espírito marcial está no desenvolvimento permanente do praticante, independentemente da idade.
Nesse contexto, a conquista de Paulo rompe estereótipos ao demonstrar que disciplina, perseverança e vontade de aprender não possuem limite etário.
Universidade e comunidade caminhando juntas
Para o professor Elizeu Antônio de Assis, responsável técnico pelo projeto, a graduação do primeiro faixa-preta sintetiza o propósito da extensão universitária.
“Este projeto foi aprovado em 2022 e permanece em funcionamento até hoje. Já atendemos mais de 150 pessoas de João Monlevade, demonstrando a relevância da iniciativa e o compromisso da UFOP com a comunidade. Ver a graduação do Sr. Paulo representa a consolidação de um trabalho construído juntamente com o professor Juan Carlos Galvis Manso, sempre colocando o ser humano acima do resultado esportivo.”
Ao longo desses anos, o projeto consolidou-se como um espaço de integração entre universidade e sociedade, oferecendo oportunidades de prática esportiva, convivência, disciplina e desenvolvimento humano.
Um sonho realizado aos 68 anos
Emocionado após receber a faixa-preta, Paulo Pereira destacou que o sonho de praticar artes marciais precisou esperar por muitos anos.
“Sempre tive vontade de aprender uma arte marcial, mas o trabalho e os compromissos da vida acabaram adiando esse sonho. Quando conheci o projeto da UFOP, percebi que ainda havia tempo para começar. Não foi uma caminhada fácil. Exigiu dedicação, disciplina e superação diária. Hoje posso dizer que valeu a pena. Além da conquista pessoal, a convivência com os jovens me renovou e me mostrou que nunca é tarde para aprender.”
Muito além dos golpes
A proposta pedagógica do projeto vai muito além do treinamento físico.
Durante as aulas, os participantes estudam os princípios fundamentais do Taekwon-do — cortesia, integridade, perseverança, autocontrole e espírito indomável —, além de refletirem sobre responsabilidade coletiva, cidadania, respeito às diferenças e convivência social.
Essa abordagem faz da prática esportiva um instrumento de formação integral, contribuindo para o desenvolvimento físico, emocional e social dos participantes.
O Grão-Mestre José Sérgio Grijó Cavalcanti, responsável pela avaliação técnica da graduação, destacou o significado da conquista.
“Ver um praticante de 68 anos alcançar a faixa-preta é uma lição para todos nós. Demonstra que o caminho do Taekwon-do é permanente e que nunca existe idade para aprender, evoluir e servir de inspiração às novas gerações. O projeto da UFOP mostra como a universidade pode transformar vidas.”
Um projeto que continua crescendo
Vinculado à Coordenadoria de Assistência Estudantil da UFOP, o projeto parte da compreensão de que atividades esportivas sistematizadas contribuem para reduzir o tempo ocioso, fortalecer vínculos sociais, favorecer a permanência estudantil e aproximar a universidade da comunidade.
Desde sua implantação, mais de 150 participantes já passaram pelas atividades desenvolvidas no campus João Monlevade.
O olhar para 2030
A conquista da primeira faixa-preta também marcou o início de uma nova etapa do projeto.
No início de 2026, professores, alunos, pais e equipe técnica realizaram um encontro de planejamento para definir os próximos passos da iniciativa. A pergunta que orientou o encontro foi simples, mas desafiadora: “Onde queremos estar em 2030?”
Dessa reflexão coletiva surgiu um compromisso compartilhado de ampliar o projeto, formar novos faixas-pretas, fortalecer a participação da comunidade e consolidar o Taekwon-do da UFOP como uma referência regional em esporte universitário, inclusão social e promoção da saúde.
Com a faixa-preta conquistada por Paulo Pereira da Silva, o projeto inaugura um novo ciclo. Mais do que celebrar uma graduação, a universidade demonstra que a extensão universitária pode transformar trajetórias, aproximar gerações e construir oportunidades para pessoas de todas as idades.
A história do primeiro faixa-preta do projeto passa, assim, a integrar a memória da UFOP e de João Monlevade como um exemplo de que educação, esporte e cidadania caminham lado a lado quando a universidade se abre à comunidade.
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