As manifestações do último 7 de setembro revelaram um quadro de esvaziamento das ruas e de enfraquecimento político da extrema direita no Brasil. Segundo Michelle Bolsonaro, em 2022 o ato em Brasília teria reunido mais de 100 mil pessoas. Já em São Paulo, no dia de ontem, os números ficaram em torno de 41 mil participantes, aproximadamente a metade do registrado dois anos antes.
Olhando em retrospecto, é possível perceber uma curva descendente. Em 2021, primeiro grande ato após o auge da pandemia, São Paulo reuniu cerca de 125 mil pessoas na Avenida Paulista, enquanto Brasília registrou perto de 105 mil. No ano seguinte, em 2022, os números se mantiveram altos: aproximadamente 100 mil em Brasília e 80 mil em São Paulo, em meio ao clima eleitoral.
Em 2023, após a derrota de Jair Bolsonaro, a participação caiu para cerca de 50 mil em São Paulo e 35 mil em Brasília. Já em 2024, mesmo com a expectativa de reorganização da base, a adesão foi ainda menor: aproximadamente 45 mil na capital paulista e 30 mil em Brasília. O ato de 2025, com 41 mil em São Paulo, confirma, portanto, a tendência contínua de queda no poder de mobilização do bolsonarismo.

Quando se observam os números friamente, a proporção é ainda mais reveladora. Em São Paulo, uma metrópole com cerca de 12 milhões de habitantes, apenas 0,35% da população esteve presente na Avenida Paulista. Em outras palavras, mais de 11 milhões e 950 mil paulistanos não atenderam ao chamado.
Ao compararmos os resultados da manifestação em São Paulo com outras cidades, como João Monlevade, percebe-se outro dado significativo. No município mineiro, com população aproximada de 80 mil pessoas, a convocação feita pela Diocese e pela CUT levou cerca de 1.029 manifestantes à Praça do Povo, representando 1,25% dos moradores da cidade. Apesar de parecer um índice baixo, trata-se de um percentual proporcionalmente superior ao verificado na maior cidade do país.

O contraste evidencia um ponto importante: enquanto partidos políticos encontram cada vez mais dificuldades para colocar pessoas nas ruas, instituições como a Igreja e os sindicatos ainda mantêm uma capacidade de mobilização maior, especialmente em cidades médias.
Assim, o 7 de setembro de 2025, em vez de reforçar a força política do bolsonarismo, acabou por expor sua queda de prestígio, evidenciada pela baixa adesão popular, pela comparação histórica com anos anteriores e pela perda de influência no cenário nacional.





