Federação Brasil da Esperança intensifica articulação para o segundo turno; estudantes secundaristas e universitários também se mobilizam e convocam população em defesa da educação pública, das universidades e da democracia
A campanha de Lula entra em uma nova fase em João Monlevade. Depois de o presidente ficar em segundo lugar no município no primeiro turno, o prefeito Laércio Ribeiro (PT) assume papel mais direto na mobilização local e trabalha para ampliar a votação do candidato no segundo turno.
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno em primeiro lugar, enquanto Lula recebeu 43% dos votos válidos. A diferença foi de apenas 2.253 votos. Além disso, aproximadamente 14 mil eleitores não compareceram às urnas, formando um contingente que poderá ter peso na segunda votação. Markdown colado
Agora, a Federação Brasil da Esperança, formada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), assume a dianteira da articulação local pela candidatura de Lula, sob a liderança de Laércio Ribeiro. O movimento tem como eixo a defesa da continuidade das políticas públicas, dos programas sociais e dos investimentos do governo federal que, na avaliação do prefeito e de seus apoiadores, representaram avanços para João Monlevade. Markdown colado
Ao mesmo tempo, estudantes secundaristas e universitários também se organizam e convocam a população. Inflamados pelo debate eleitoral e preocupados com o que consideram riscos de retrocesso na educação, na ciência e nas instituições democráticas com um eventual retorno do bolsonarismo ao governo federal, os jovens começam a construir uma mobilização própria.
Laércio defende continuidade das políticas de Lula
A mensagem que Laércio pretende colocar nas ruas é de continuidade. Mais do que fazer uma defesa partidária de Lula, o prefeito procura relacionar a eleição presidencial às políticas federais que atingem diretamente o município. Educação, saúde, programas sociais, investimentos públicos e direitos dos trabalhadores deverão estar entre os principais argumentos apresentados à população. Markdown colado
A questão colocada pelo movimento é objetiva: quais políticas e investimentos realizados nos últimos anos devem continuar a partir de 2027?
O debate ganha dimensão particular em João Monlevade. A cidade abriga o Instituto Federal de Minas Gerais – IFMG, o Instituto de Ciências Exatas e Aplicadas da Universidade Federal de Ouro Preto e mantém forte relação com a educação pública federal. Para a articulação liderada por Laércio, a continuidade dessas políticas integra uma discussão mais ampla sobre o projeto de país que sairá das urnas no segundo turno.
Mobilização recupera raízes trabalhistas do PT
A entrada mais direta do prefeito na campanha também recupera uma característica histórica do Partido dos Trabalhadores. Fundado em 1980, o PT nasceu com forte participação de trabalhadores, sindicalistas e movimentos populares, em um período marcado pelas lutas pela redemocratização e pela ampliação dos direitos políticos e sociais.
Em João Monlevade, essa história encontra terreno particularmente simbólico. Cidade industrial e operária, o município teve sua trajetória política marcada pela organização dos trabalhadores, pelo movimento sindical e pelas disputas em torno dos direitos trabalhistas e sociais.
A articulação conduzida por Laércio procura novamente reunir esses segmentos. Trabalhadores, movimentos sociais, estudantes e organizações populares são chamados à participação no segundo turno, aproximando a atual campanha das raízes de mobilização social que acompanharam a formação e a trajetória do partido.
Secundaristas e universitários convocam população
A juventude acrescenta outro componente à mobilização. Estudantes secundaristas e universitários estão se organizando e convocam a população de João Monlevade para participar do movimento em defesa da educação pública, das universidades, da ciência e da democracia. Markdown colado
Inflamados pelas discussões do segundo turno, os jovens relacionam a atual disputa presidencial às experiências vividas durante o governo Jair Bolsonaro e manifestam preocupação com a possibilidade de retorno daquele campo político ao comando do país.
Entre as questões lembradas está a pandemia de Covid-19. O Brasil registrou mais de 700 mil mortes pela doença, período marcado por intensa controvérsia política e institucional sobre a atuação do governo Bolsonaro, especialmente em relação à vacinação, às medidas sanitárias e à condução federal da emergência.
Para os estudantes mobilizados, a memória daquele período se associa agora à defesa da ciência e da educação. A intenção é levar a discussão para além dos partidos, envolvendo também professores, trabalhadores, famílias e outros moradores da cidade.
A mobilização pretende colocar no centro do segundo turno uma pergunta: qual projeto será apresentado para a escola pública, as universidades federais, a pesquisa científica e o acesso e permanência dos jovens no ensino superior?
Lula ficou em segundo, mas PT e PSOL colocaram sete no Top 10
Os resultados das urnas mostram que o comportamento eleitoral de João Monlevade é mais complexo do que a votação presidencial isoladamente poderia sugerir. Embora Lula tenha ficado em segundo lugar no município, a disputa para deputado federal apresenta uma fotografia diferente das preferências do eleitorado.
Entre os dez candidatos a deputado federal mais votados em João Monlevade, sete são do PT ou do PSOL. O PT colocou seis nomes nesse grupo: Ana Elisa, Gleide Andrade, Leonardo Monteiro, Padre João, Miguel Ângelo e Rogério Correia. Duda Salabert, do PSOL, ficou na quinta colocação. O PL teve dois representantes — Nikolas Ferreira e Vinicius Diniz —, enquanto Rodrigo de Castro, do União Brasil, completou o Top 10. Markdown colado
O dado revela, porém, duas formas diferentes de distribuição dos votos. PT e PSOL tiveram maior presença em número de candidatos entre os dez primeiros, enquanto o PL concentrou uma quantidade maior de votos em apenas dois nomes.
Assim, a votação proporcional mostra que candidatos do PT e do PSOL alcançaram diferentes parcelas do eleitorado local. É essa base eleitoral dispersa que a articulação liderada por Laércio Ribeiro e pela Federação Brasil da Esperança tentará reunir em torno de Lula no segundo turno. Somente as urnas poderão mostrar em que medida essa presença entre os candidatos proporcionais se converterá em votos na disputa presidencial.
Laércio articula virada de Lula no segundo turno
É nesse cenário que o protagonismo do prefeito ganha maior significado. Laércio não entra apenas como apoiador da candidatura presidencial de seu partido. Como prefeito de João Monlevade e liderança petista local, assume papel central na articulação para ampliar a votação de Lula e tentar levá-lo à primeira colocação no município.
A diferença a ser revertida é de pouco mais de 2 mil votos. O campo a ser disputado, entretanto, é maior. Há eleitores que escolheram outros candidatos à Presidência mas a tendencia no segundo turno é de se aliarem em amioria á candidatura petista. Pessoas que fizeram escolhas diferentes conforme o cargo em disputa e, sobretudo, milhares de monlevadenses que não compareceram às urnas no primeiro turno devem comparecer em massa pois muitos estão receosos com um possivel retorno do bolsonarismo.
A mobilização de trabalhadores e movimentos sociais, somada à participação de secundaristas e universitários, amplia esse universo. O desafio político da campanha será transformar essa mobilização em participação eleitoral.
Pais e estudantes temem mudanças na permanência universitária

Entre universitários que vieram de diferentes regiões do Brasil para estudar em João Monlevade, uma preocupação começa a ganhar espaço. Estudantes e também alguns pais demonstram apreensão com possíveis mudanças nas políticas de permanência e assistência estudantil, fundamentais principalmente para jovens de menor renda que precisam de auxílio para alimentação, moradia, transporte e outras despesas durante a graduação.
A inquietação também está relacionada ao programa apresentado por Flávio Bolsonaro que se torna uma ameaçã real á politica de assistencia estudantil. O candidato propõe retirar a governança do ensino superior do Ministério da Educação e transferi-la para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O plano estabelece ainda maior direcionamento de Capes e CNPq para inovação, transferência de tecnologia e impacto produtivo. Agência Brasil
A proposta pode significar cortes ou redução dos recursos destinados ao ensino superior federal. Isso porque a transferência das universidades para uma nova estrutura ministerial aparece em um programa que também defende redução das despesas públicas, enquanto não há metas orçamentárias específicas que garantam quanto será destinado às universidades e à assistência estudantil.
A mudança não significa, por si só, que haverá corte automático. Entretanto, a ausência dessas garantias abre uma incerteza concreta: se houver redução de recursos, custeio, bolsas e políticas de permanência poderão ser afetados. Essa possibilidade provoca apreensão entre dirigentes e pesquisadores das instituições federais.
A comparação entre as propostas aumenta o peso dessa discussão no segundo turno. Lula defende ampliação dos institutos federais e manutenção de políticas de assistência voltadas à permanência e à conclusão dos cursos. Flávio, por sua vez, propõe a reorganização do ensino superior dentro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sem apresentar até agora metas específicas de financiamento para as universidades. Folha de S.Paulo
Para estudantes e suas famílias, a discussão deixa, portanto, de ser apenas administrativa. A questão é saber se estarão garantidos os recursos necessários para manter as universidades e, sobretudo, as políticas que permitem aos estudantes de menor renda permanecer nos cursos até a graduação.
Impacto ultrapassa os muros da universidade
Em João Monlevade, essa discussão interessa também a quem nunca entrou em uma sala de aula da UFOP. Estudantes vindos de diferentes partes do país alugam imóveis, compram no comércio, utilizam transporte e movimentam restaurantes, supermercados e diferentes serviços. Markdown colado
Por isso, uma eventual redução significativa da permanência desses universitários poderia produzir reflexos também sobre a economia local. Se jovens deixarem a cidade por falta de condições financeiras para continuar os cursos, setores diretamente relacionados à presença da comunidade universitária também poderão sentir os efeitos.
A pergunta que emerge dessa preocupação deverá ser apresentada à candidatura de Flávio Bolsonaro: se o ensino superior federal deixar a estrutura do MEC, quais recursos e garantias serão assegurados às universidades e às políticas de assistência e permanência estudantil?
Segundo turno começa a chegar às ruas
A articulação liderada por Laércio e a movimentação dos estudantes indicam uma mudança no ambiente político depois do primeiro turno. A disputa começa a sair das estruturas tradicionais das campanhas e alcançar trabalhadores, escolas, universidades, movimentos sociais e outros espaços da sociedade.
Para Laércio, a tarefa política está definida: reunir forças em defesa da continuidade do governo Lula e buscar a virada em João Monlevade.
Para secundaristas e universitários, a eleição também passa pela defesa da educação pública, da universidade, da ciência e da democracia. Mobilizados pelo momento político, eles não pretendem apenas participar das atividades: também convocam a população de João Monlevade para o debate e para as manifestações que começam a ser organizadas.
O segundo turno, dessa forma, ganha uma dimensão diretamente local. E deixa uma pergunta que deverá orientar a cobertura do O Fato News até a nova votação: o que a continuidade do governo Lula ou a eleição de Flávio Bolsonaro significará, concretamente, para João Monlevade e para o Médio Piracicaba?
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