João Monlevade (MG) – Um episódio recente no cenário esportivo local expõe uma questão essencial: mais importante que a grandiosidade de um evento é a forma como os atletas são tratados.
Antes mesmo do início de uma cerimônia marcada por estrutura e formalidade, um atleta foi colocado em situação pública de constrangimento, revelando falhas de organização e, sobretudo, de condução institucional.
O caso envolve um atleta de 68 anos, com uma trajetória sólida no esporte, construída ao longo de décadas. Integrante do Projeto de Esportes Universitários – Taekwon-do da UFOP (campus João Monlevade), tornou-se o primeiro faixa-preta formado pelo projeto, simbolizando o sucesso da integração entre universidade e comunidade.
Sua presença no evento ocorreu a partir de convite realizado pelo karateca e membro do Conselho Municipal de Esportes (CME), Marcão, reconhecido por sua história de dedicação ao esporte local.
No entanto, ao chegar ao local, o atleta deparou-se com uma situação constrangedora. A secretária do CME já havia se manifestado de forma pouco adequada, afirmando que “o homenageado do taekwondo seria uma criança e que o convidado poderia permanecer na cerimônia”. Diante desse encaminhamento, o ambiente tornou-se desconfortável para o convidado. Na sequência, o presidente do Conselho apresentou uma justificativa direta: “não houve convite oficial”.
Ambas as justificativas deixaram de considerar que ali estava um atleta que, por sua presença e por ter atendido a um convite, deveria ter sido acolhido com o devido respeito, independentemente de sua formalização burocrática.
Essa condução gerou uma situação delicada. Ao não reconhecer o convite feito por um membro do próprio Conselho, expôs-se o atleta a constrangimento público e, simultaneamente, colocou-se o próprio Marcão — integrante reconhecido do CME — em posição igualmente desconfortável.
O problema central não está na ausência de formalização do convite, mas na forma como a situação foi conduzida. Diante de um fato concreto — a presença de um atleta convidado, com trajetória reconhecida e representando uma instituição pública — não houve esforço de mediação, acolhimento ou solução.
Diante desse cenário, o atleta optou por se retirar do evento, preservando sua dignidade, sua história e o respeito à instituição que representava.
O episódio evidencia uma falha que vai além do protocolo. Trata-se de uma questão de consideração e respeito ao atleta — princípio básico que deve orientar qualquer iniciativa esportiva.
Eventos podem ser bem estruturados e visualmente marcantes; contudo, sua legitimidade depende, acima de tudo, da forma como acolhem e valorizam seus protagonistas.
O esporte não se sustenta apenas em cerimônias. Ele se sustenta no respeito. E quando esse respeito falha, nenhum evento — por mais sofisticado que seja — cumpre plenamente o seu propósito.
Porque, no fim, o que dignifica o esporte não é o evento. É o reconhecimento verdadeiro de quem o constrói.




