Número de brasileiros em insegurança alimentar grave cai 23,5% em um ano; 2 milhões de pessoas saíram da condição de fome entre 2023 e 2024.
PORTO ALEGRE, RS – O Brasil deu um passo significativo no combate à fome em 2024. Dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de pessoas em lares com insegurança alimentar grave – condição em que se enfrenta a fome diariamente – recuou 23,5% no último ano. Em termos absolutos, isso significa que dois milhões de brasileiros deixaram a fome, com o número caindo de 8,47 milhões em 2023 para 6,48 milhões em 2024.
A pesquisa, realizada em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, integra o levantamento sobre Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua). Segundo a pesquisadora do IBGE, Maria Lúcia Vieira, a insegurança alimentar moderada ou grave atingiu o menor patamar desde o início da série histórica, em 2004.
“É uma conquista notável, que reflete o impacto de políticas públicas direcionadas e a retomada econômica. Ver uma queda tão expressiva em um período de apenas um ano é um indicador muito positivo”, analisou a especialista.
CONTEXTO GLOBAL E NACIONAL
Enquanto o Brasil comemora a redução, o cenário global da fome ainda é alarmante. Estima-se que aproximadamente 673 milhões de pessoas em todo o mundo foram afetadas pela fome em 2024. Trata-se de um problema complexo, alimentado por uma combinação de fatores como conflitos armados, crises econômicas, desigualdades sociais profundas e os efeitos das mudanças climáticas.
Apesar dos avanços nacionais, o desafio interno permanece substancial. Quando considerados todos os níveis de insegurança alimentar – de leve a grave –, o problema atinge mais de 70 milhões de pessoas no país, com cerca de 21 milhões enfrentando a fome de forma mais branda ou moderada.
AS PRINCIPAIS CAUSAS DA FOME NO MUNDO
A persistência da fome, tanto globalmente quanto em certos bolsões do Brasil, está intrinsecamente ligada a causas estruturais:
- Conflitos e Guerras: Situações de violência, como as observadas na Somália, Sudão do Sul, Síria e Iêmen, destroem lavouras, interrompem cadeias de abastecimento e deslocam populações.
- Pobreza e Desigualdade: A falta de acesso a recursos básicos, terra, crédito e educação mantém ciclos intergeracionais de pobreza e fome.
- Crises Econômicas: A recessão econômica agravada pela pandemia de COVID-19 levou milhões à pobreza, reduzindo o poder de compra de famílias em todo o mundo.
- Mudanças Climáticas: Secas prolongadas, inundações e eventos climáticos extremos devastam a agricultura, principal meio de subsistência de muitas populações vulneráveis.
CONSEQUÊNCIAS DA FOME E CAMINHOS PARA O COMBATE
As consequências da subnutrição são severas, indo desde o aumento da mortalidade – especialmente entre crianças – até a perpetuação de problemas sociais, como a evasão escolar e a baixa produtividade, que comprometem o desenvolvimento econômico e social de nações inteiras.
Para enfrentar esse mal, especialistas apontam a necessidade de ações coordenadas:
- Políticas Públicas Efetivas: Programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e os programas de alimentação escolar são citados como exemplos bem-sucedidos de intervenção estatal.
- Incentivo à Agricultura Familiar: Fortalecer a produção de alimentos em pequena escala garante maior acesso a comida saudável e movimenta economias locais.
- Desenvolvimento Sustentável: Ações que gerem emprego, fortaleçam a agricultura resiliente e garantam assistência social aos mais vulneráveis são consideradas fundamentais para a erradicação definitiva da fome.
A queda nos números brasileiros é um farol de esperança em um cenário global desafiador, demonstrando que com vontade política e investimentos certos, é possível reverter um dos problemas mais cruéis da humanidade.New chat
Referencia:
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): Segurança Alimentar 2023-2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/21986-pnad-continua.html?edicao=38730&t=resultados. Acesso em: 24 maio 2024.
G1. Queda da fome: número de pessoas que passam fome no Brasil cai 23,5% em um ano, diz IBGE. Rio de Janeiro: 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2024/05/10/queda-da-fome-numero-de-pessoas-que-passam-fome-no-brasil-cai-235percent-em-um-ano-diz-ibge.ghtml. Acesso em: 24 maio 2024.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E A AGRICULTURA (FAO). The State of Food Security and Nutrition in the World (SOFI) 2023: Urbanization, agrifood systems transformation and healthy diets across the rural–urban continuum. Roma: FAO, 2023. Disponível em: https://www.fao.org/documents/card/en?details=cc3017en. Acesso em: 24 maio 2024.
REDE BRASILEIRA DE PESQUISA EM SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR (REDE PENSSAN). II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil. São Paulo: Fundação Friedrich Ebert, 2022. Disponível em: https://olheparaafome.com.br/VIGISAN_2022.pdf. Acesso em: 24 maio 2024.
WORLD FOOD PROGRAMME (WFP). A global food crisis. 2024. Disponível em: https://www.wfp.org/global-hunger-crisis. Acesso em: 24 maio 2024.
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