Lula vence em 15 de 17 cidades analisadas do Médio Piracicaba, mas perde em João Monlevade

Eleições 2026: resultados da votação presidencial no Médio Piracicaba
O primeiro turno das Eleições 2026 revelou diferenças importantes no comportamento eleitoral dos municípios do Médio Piracicaba.

Petista soma 48,72% dos votos válidos na região e abre 15,5 mil votos de vantagem; Flávio Bolsonaro vence apenas em João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo

O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 desenhou um mapa eleitoral particular no Médio Piracicaba. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) venceu em Minas Gerais, Lula (PT) ficou à frente em 15 dos 17 municípios da região analisados pelo O Fato. No agregado regional, o petista também abriu uma vantagem superior a 15 mil votos.

Somados os resultados dos 17 municípios, Lula recebeu 111.080 votos, enquanto Flávio alcançou 95.546. A diferença foi de 15.534 votos.

Considerando os 227.978 votos válidos registrados no conjunto dos municípios, Lula alcançou aproximadamente 48,72%, contra 41,91% de Flávio. Os demais candidatos, juntos, ficaram com cerca de 9,37%.

Entretanto, a distribuição territorial revela contrastes importantes. Lula ultrapassou 50% em 12 dos 17 municípios. Flávio venceu somente em João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo. Além disso, em São Gonçalo, a diferença foi de apenas cinco votos.

João Monlevade aparece como a principal exceção regional. No município, Flávio venceu por 2.253 votos e obteve resultado muito próximo daquele registrado no conjunto de Minas Gerais.

Lula vence em 15 das 17 cidades

O placar municipal mostra a dimensão territorial da vantagem de Lula. O candidato do PT venceu em Alvinópolis, Bela Vista de Minas, Barão de Cocais, Bom Jesus do Amparo, Catas Altas, Dionísio, Dom Silvério, Itabira, Nova Era, Rio Piracicaba, Santa Bárbara, Santa Maria de Itabira, São Domingos do Prata, São José do Goiabal e Sem-Peixe.

Flávio venceu apenas em João Monlevade e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Contudo, mesmo essas duas vitórias apresentam características muito diferentes. Em São Gonçalo, foram 4.113 votos para Flávio e 4.108 para Lula — apenas cinco votos de diferença. Em João Monlevade, a vantagem de Flávio chegou a 2.253 votos.

Quadro 1 — Lula × Flávio nos 17 municípios

MunicípioLulaFlávio BolsonaroDiferença
Sem-Peixe60,70%31,78%Lula +28,92 p.p.
São José do Goiabal60,24%33,22%Lula +27,02 p.p.
Alvinópolis59,98%33,63%Lula +26,35 p.p.
Santa Maria de Itabira58,63%34,03%Lula +24,60 p.p.
Dom Silvério57,45%35,58%Lula +21,87 p.p.
Bela Vista de Minas56,22%36,94%Lula +19,28 p.p.
Dionísio55,26%39,42%Lula +15,84 p.p.
Nova Era54,24%37,54%Lula +16,70 p.p.
São Domingos do Prata53,56%38,69%Lula +14,87 p.p.
Santa Bárbara52,97%36,07%Lula +16,90 p.p.
Rio Piracicaba52,18%39,07%Lula +13,11 p.p.
Bom Jesus do Amparo51,73%37,49%Lula +14,24 p.p.
Catas Altas45,76%39,12%Lula +6,64 p.p.
Itabira45,78%43,86%Lula +1,92 p.p.
Barão de Cocais44,71%44,00%Lula +0,71 p.p.
São Gonçalo do Rio Abaixo45,57%45,62%Flávio +0,05 p.p.
João Monlevade43,00%48,10%Flávio +5,10 p.p.

O mapa mostra que a vantagem de Lula não se limita a uma ou duas cidades. Ela se espalha por praticamente toda a região. Ao mesmo tempo, existem diferenças consideráveis na intensidade dessa vantagem.

Sem-Peixe dá a Lula seu melhor resultado

O maior percentual de Lula entre os 17 municípios apareceu em Sem-Peixe. O petista recebeu 60,70% dos votos válidos, contra 31,78% de Flávio. A diferença alcançou expressivos 28,92 pontos percentuais.

Logo depois aparece São José do Goiabal. Lula obteve 60,24%, enquanto Flávio ficou com 33,22%. A vantagem chegou a 27,02 pontos. Alvinópolis, oucupa a terceira posição com um resultado bastante expressivo: 59,98% para Lula e 33,63% para Flávio.

Quadro 2 — Onde Lula foi mais forte

PosiçãoMunicípioLulaFlávioVantagem
1ºSem-Peixe60,70%31,78%+28,92 p.p.
2ºSão José do Goiabal60,24%33,22%+27,02 p.p.
3ºAlvinópolis59,98%33,63%+26,35 p.p.
4ºSanta Maria de Itabira58,63%34,03%+24,60 p.p.
5ºDom Silvério57,45%35,58%+21,87 p.p.
6ºBela Vista de Minas56,22%36,94%+19,28 p.p.
7ºDionísio55,26%39,42%+15,84 p.p.

Portanto, Lula ultrapassou 55% em sete municípios. Em Sem-Peixe e São José do Goiabal, passou dos 60%.

Lula supera 50% em 12 municípios

Outro indicador mostra a extensão da vantagem petista. Lula conquistou mais da metade dos votos válidos em 12 dos 17 municípios: Sem-Peixe, São José do Goiabal, Alvinópolis, Santa Maria de Itabira, Dom Silvério, Bela Vista de Minas, Dionísio, Nova Era, São Domingos do Prata, Santa Bárbara, Rio Piracicaba e Bom Jesus do Amparo.

Em outros três — Catas Altas, Itabira e Barão de Cocais — venceu sem alcançar a maioria absoluta dos votos válidos. Somente João Monlevade e São Gonçalo deram vitória a Flávio. Isso significa que Lula venceu em 88,2% dos municípios do recorte regional.

João Monlevade é a principal exceção

João Monlevade se destaca no mapa regional porque apresenta o resultado mais favorável a Flávio. Dos 44.190 votos válidos, o candidato do PL recebeu 21.256, equivalentes a 48,10%. Lula obteve 19.003 votos, ou 43%. Assim, Flávio abriu 2.253 votos e 5,10 pontos percentuais de vantagem.

O comportamento monlevadense ficou muito próximo daquele registrado no conjunto de Minas Gerais. No estado, Flávio terminou o primeiro turno com cerca de 48,24%, enquanto Lula ficou próximo de 43,33%.

Quadro 3 — Médio Piracicaba, Minas e Brasil

TerritórioLulaFlávioSaldo
Médio Piracicaba — 17 municípios48,72%41,91%Lula +6,81 p.p.
Minas Gerais43,33%48,24%Flávio +4,91 p.p.
Brasil45,16%47,03%Flávio +1,87 p.p.
João Monlevade43,00%48,10%Flávio +5,10 p.p.
Itabira45,78%43,86%Lula +1,92 p.p.

A comparação produz uma das principais conclusões da eleição regional. O Médio Piracicaba votou de maneira diferente do conjunto de Minas Gerais. João Monlevade, porém, acompanhou quase exatamente o padrão estadual.

Itabira e João Monlevade apontam direções diferentes

A diferença entre João Monlevade e Itabira também merece atenção. Os dois municípios concentram grande parcela dos eleitores da região. Contudo, deram vitória a candidatos diferentes.

Em João Monlevade, Flávio recebeu 21.256 votos e Lula, 19.003. A vantagem foi de 2.253 votos para o candidato do PL. Já em Itabira, Lula obteve 30.883 votos contra 29.588 de Flávio. Assim, o petista venceu por 1.295 votos.

Quadro 4 — Os dois grandes polos regionais

MunicípioLulaFlávioVencedorDiferença
Itabira30.883 (45,78%)29.588 (43,86%)Lula+1.295
João Monlevade19.003 (43,00%)21.256 (48,10%)Flávio+2.253

A margem entre os candidatos também revela a diferença. Itabira deu 1,92 ponto de vantagem a Lula. João Monlevade deu 5,10 pontos a Flávio. Portanto, há uma distância de aproximadamente sete pontos percentuais entre o comportamento eleitoral dos dois polos quando se considera a margem entre os candidatos.

São Gonçalo teve diferença de apenas cinco votos

Embora Flávio tenha vencido dois municípios, somente em João Monlevade sua vantagem foi expressiva. Em São Gonçalo do Rio Abaixo, o resultado foi praticamente um empate. Flávio recebeu 4.113 votos, enquanto Lula obteve 4.108. São apenas cinco votos de diferença, equivalentes a 0,05 ponto percentual.

Barão de Cocais também terminou dividido, mas com Lula à frente. Foram 7.920 votos para o petista e 7.794 para Flávio — diferença de 126 votos.

Quadro 5 — Municípios mais equilibrados

MunicípioLulaFlávioDiferença
São Gonçalo do Rio Abaixo4.1084.113Flávio +5
Barão de Cocais7.9207.794Lula +126
Itabira30.88329.588Lula +1.295
João Monlevade19.00321.256Flávio +2.253

Esses números também indicam onde a disputa poderá ser mais sensível a mudanças de comparecimento e à transferência dos votos dados a outros candidatos no segundo turno.

Lula abre 15.534 votos na região

A soma dos 17 municípios permite finalmente observar o Médio Piracicaba como conjunto.

Quadro 6 — Resultado agregado do Médio Piracicaba

Resultado regionalVotos% dos válidos
Lula111.08048,72%
Flávio Bolsonaro95.54641,91%
Outros candidatos21.3529,37%
Total de votos válidos227.978100%
Vantagem de Lula sobre Flávio15.5346,81 p.p.

Portanto, Lula não apenas venceu em 15 municípios. Também conquistou o maior número de votos quando toda a região é somada.

Sua vantagem regional de 6,81 pontos contrasta diretamente com o resultado mineiro, no qual Flávio terminou aproximadamente cinco pontos à frente.

A distância entre esses dois comportamentos supera 11 pontos percentuais quando se compara a margem Lula–Flávio no Médio Piracicaba com a margem estadual.

A região não reproduziu Minas Gerais

A principal conclusão territorial está justamente na comparação com o estado. Flávio venceu Minas. Lula, entretanto, venceu 15 dos 17 municípios do Médio Piracicaba e também ficou à frente no total de votos da região. Ao mesmo tempo, seria inadequado tratar todo o território como eleitoralmente uniforme.

João Monlevade destoou claramente do conjunto. São Gonçalo ficou dividido ao meio. Itabira apresentou pequena vantagem de Lula. Barão de Cocais também ficou praticamente empatado.

Em outro extremo, municípios como Sem-Peixe, São José do Goiabal, Alvinópolis, Santa Maria de Itabira e Dom Silvério deram vantagens superiores a 20 pontos ao petista.

Portanto, o primeiro turno revela pelo menos três comportamentos dentro do Médio Piracicaba: municípios com forte vantagem de Lula, cidades altamente competitivas e João Monlevade como principal território de vantagem de Flávio.

Segundo turno começa com região diferente do estado

Os números do primeiro turno também oferecem uma referência importante para acompanhar a próxima etapa da eleição. Lula parte de uma vantagem regional de 15.534 votos, enquanto Flávio chega ao segundo turno tendo vencido o maior colégio eleitoral de João Monlevade e ficado praticamente empatado em São Gonçalo.

Além disso, mais de 21 mil votos válidos da região foram destinados a outros candidatos no primeiro turno. A distribuição desse eleitorado, somada à mobilização de quem não compareceu, poderá alterar o mapa em cada município.

O primeiro turno, contudo, deixa uma fotografia clara: Lula venceu amplamente no território do Médio Piracicaba, levando 15 das 17 cidades e 48,72% dos votos válidos da região. Flávio venceu apenas duas, mas uma delas é João Monlevade, um dos maiores colégios eleitorais regionais e o município que mais se aproximou do comportamento observado no conjunto de Minas Gerais.

A derrota de Lula abre uma crise de identidade para o PT de João Monlevade

Há uma contradição política difícil de ignorar no resultado das urnas em João Monlevade. O município é governado pelo PT, Laércio Ribeiro foi reeleito em 2024 com 61,02% dos votos válidos e, apenas dois anos depois, Lula perdeu a eleição presidencial na cidade.

Flávio Bolsonaro recebeu 21.256 votos, ou 48,10% dos válidos. Lula ficou com 19.003, equivalentes a 43%. Foram 2.253 votos de diferença.

O resultado chama ainda mais atenção quando observado no contexto regional. Lula venceu em 15 dos 17 municípios do Médio Piracicaba. João Monlevade foi uma das duas exceções e, entre elas, a única em que Flávio abriu uma vantagem significativa.

Portanto, a pergunta não é apenas por que Lula perdeu em João Monlevade. É preciso perguntar o que aconteceu com o PT de uma cidade que já foi uma de suas referências políticas e sindicais na região.

Laércio foi reeleito, mas isso não significou fortalecimento de Lula

Seria um erro concluir que o PT desapareceu eleitoralmente em João Monlevade. Os números de 2024 demonstram o contrário.

Laércio Ribeiro conquistou 25.386 votos e foi reeleito com 61,02% dos votos válidos. Sua vitória, entretanto, ocorreu apoiada por uma coligação excepcionalmente ampla.

Além da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, a candidatura reuniu Republicanos, MDB, Podemos, Avante, Mobiliza, PSB, PSD, PSDB/Cidadania e PSOL/Rede. A vice-prefeita Dorinha Machado é do MDB.

A dimensão dessa aliança torna necessária outra pergunta: os 61% obtidos por Laércio em 2024 representavam a força eleitoral do PT ou uma maioria construída em torno do prefeito por uma coalizão que ultrapassava amplamente as fronteiras partidárias? O resultado presidencial de 2026 sugere que as duas coisas não podem ser tratadas como equivalentes. Laércio conseguiu formar uma maioria eleitoral ampla. Lula não.

Federação e governo: outra questão a ser examinada

Existe ainda uma questão interna que merece apuração. PT, PCdoB e PV disputam eleições nacionalmente como integrantes da mesma federação. Em João Monlevade, os três também integraram formalmente a coligação que reelegeu Laércio.

Por isso, é relevante verificar qual espaço político e administrativo os partidos da própria federação possuem efetivamente no segundo governo?

Caso se confirme que PCdoB e PV não participam da estrutura política central da administração, surgirá uma contradição adicional: uma federação que existe eleitoralmente, mas que não se traduz necessariamente em compartilhamento do governo municipal.

Essa discussão importa porque ajuda a separar duas estruturas que frequentemente aparecem misturadas: o governo Laércio e o PT de João Monlevade.

De berço de lideranças a território disputado

Historicamente, o PT monlevadense teve uma característica muito diferente. O partido cresceu ligado ao movimento operário e ao sindicalismo metalúrgico. Desse ambiente saíram lideranças capazes de ultrapassar as fronteiras municipais.

João Paulo Pires de Vasconcelos chegou à Câmara dos Deputados e participou da Assembleia Nacional Constituinte. Leonardo Diniz, também ligado à trajetória sindical local, chegou à Prefeitura.

Ou seja, João Monlevade não era simplesmente um lugar onde lideranças estaduais e nacionais procuravam votos. A cidade produzia suas próprias lideranças. Essa diferença é central para compreender a perda de protagonismo.

Hoje, parlamentares e grupos políticos com bases eleitorais construídas em outras regiões disputam o eleitor monlevadense, enquanto o município não apresenta uma liderança petista própria com peso equivalente ao que João Paulo e Leonardo Diniz representaram em outros momentos. O problema, portanto, pode ser mais profundo do que uma derrota presidencial.

Trata-se da capacidade do PT local de continuar formando lideranças, organizar sua base social e construir representação política própria.

Uma coalizão que diluiu a identidade partidária?

A ampla coalizão construída em torno de Laércio também merece análise. Para governar, o prefeito aproximou partidos e grupos de diferentes orientações políticas. Essa estratégia produziu resultado eleitoral: Laércio conquistou uma vitória expressiva em 2024. Entretanto, coalizões muito amplas também podem produzir outro efeito: a identidade do governo deixa de coincidir necessariamente com a identidade do partido do prefeito.

Essa hipótese ganha relevância diante do resultado de 2026. Se uma administração comandada por um prefeito petista incorpora lideranças, partidos e grupos que não possuem identificação política com o projeto nacional do PT, a capacidade do governo municipal de funcionar como instrumento de mobilização eleitoral para Lula naturalmente precisa ser questionada.

É nesse ponto que deve ser investigada a presença de lideranças identificadas com o bolsonarismo ou com a direita dentro da sustentação política e administrativa da Prefeitura.

Se essa presença for predominante nos principais espaços de decisão, haverá base concreta para uma conclusão mais forte: o PT manteve a Prefeitura, mas perdeu espaço político dentro do próprio governo que formalmente comanda. Essa hipótese, porém, precisa ser demonstrada pela composição da administração e das alianças municipais.

João Monlevade votou como Minas, não como a região

O resultado das urnas reforça o paradoxo.

TerritórioLulaFlávio BolsonaroVantagem
Médio Piracicaba48,72%41,91%Lula +6,81 p.p.
Minas Gerais43,33%48,24%Flávio +4,91 p.p.
João Monlevade43,00%48,10%Flávio +5,10 p.p.
Itabira45,78%43,86%Lula +1,92 p.p.

João Monlevade praticamente reproduziu o comportamento eleitoral de Minas Gerais. Ao mesmo tempo, afastou-se do comportamento predominante no Médio Piracicaba.

A contradição é evidente: o município governado pelo PT votou mais parecido com Minas, onde Flávio venceu, do que com a própria região, onde Lula ganhou em 15 das 17 cidades.

Governo forte, partido enfraquecido?

Essa talvez seja a pergunta política mais importante deixada pelas urnas. Será que o Dr. Laércio permanece eleitoralmente forte ou essa força se revelou somente diante dos interesses da reeleição em 2024? Sendo a resposta a essa questão uma afirmativa pode-se concluir que a força eleitoral revelada nas eleições municipais não se coaduna com a força partidária, pois não são necessariamente a mesma coisa.

O primeiro turno de 2026 sugere que a liderança do prefeito não se converteu automaticamente em capacidade de mobilização para Lula. Ao mesmo tempo, a ausência de uma liderança petista local com projeção estadual ou federal contrasta com a história política do município. A questão que emerge, portanto, é mais complexa do que simplesmente medir quantos votos o PT possui.

João Monlevade ainda tem um PT politicamente protagonista ou tem hoje um prefeito popular filiado ao PT, sustentado por uma coalizão muito mais ampla que o próprio partido?

Das origens operárias ao desafio de reconstruir protagonismo

A derrota de Lula não permite, isoladamente, afirmar que o eleitorado rompeu definitivamente com o PT. Tampouco apaga a vitória expressiva de Laércio dois anos antes. Mas os dois resultados, quando colocados lado a lado, revelam uma transformação que merece ser discutida.

O PT que nasceu ligado ao movimento operário de João Monlevade conseguiu produzir lideranças, disputar projetos políticos e projetar representantes para além dos limites municipais.

Hoje, a Prefeitura continua sob comando de um petista, mas a cidade depende cada vez mais de articulações com lideranças políticas cuja base principal está fora do município. Por isso, a questão deixada pelas urnas de 2026 ultrapassa Lula e Flávio.

O PT de João Monlevade ainda consegue representar politicamente suas bases históricas, formar novas lideranças e construir um projeto próprio ou passou a depender de uma grande coalizão em torno do governo municipal, mesmo quando essa coalizão reúne forças distantes de sua origem política?

Responder a essa pergunta será fundamental para compreender não apenas a derrota de Lula em João Monlevade, mas também o futuro do partido em uma cidade que já ocupou posição de destaque na história política e sindical do Médio Piracicaba.

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