Unidade começou com Engenharia Ambiental e Engenharia de Minas, ampliou cursos e laboratórios e chega às duas décadas com a oferta de Direito autorizada para uma nova fase de sua história
JOÃO MONLEVADE (MG) — No dia 26 de setembro de 2006, a Universidade do Estado de Minas Gerais iniciava uma trajetória que mudaria o ensino superior público em João Monlevade. Vinte anos depois, a UEMG João Monlevade ampliou cursos, construiu infraestrutura própria, fortaleceu laboratórios e consolidou sua atuação nas engenharias. Agora, a unidade chega ao aniversário diante de uma nova etapa, marcada pela autorização do curso de Direito.
A comemoração começa na véspera da data histórica. Nesta sexta-feira (25), às 19h, a unidade realiza uma cerimônia pelos 20 anos de presença em João Monlevade. Entretanto, o aniversário oficial ocorre no sábado (26), exatamente duas décadas depois do início das atividades.
Mais do que uma solenidade, a data permite olhar para uma história que acompanhou transformações no ensino superior da cidade. Afinal, a UEMG começou em João Monlevade com apenas dois cursos e, ao longo dos anos, ampliou sua estrutura acadêmica e sua relação com uma região fortemente ligada à mineração, à siderurgia e à indústria.
A história começou em 2006
A implantação da UEMG em João Monlevade ocorreu em um contexto diretamente relacionado ao perfil econômico da cidade. Segundo a própria universidade, a unidade surgiu como resposta às necessidades de um município marcado pela atividade siderúrgica e industrial.
Antes mesmo do início das aulas, o Conselho Universitário da UEMG autorizou, em 2 de junho de 2006, a criação dos cursos de Engenharia de Minas e Engenharia Ambiental para João Monlevade. Assim, as duas primeiras graduações já apontavam para uma formação conectada às características econômicas e ambientais da região.
As atividades começaram em 26 de setembro daquele ano. No início, entretanto, a universidade ainda não possuía sede própria. A UEMG funcionava nas instalações da antiga Escola Estadual Padre Drehmanns.
Esse cenário começou a mudar nos anos seguintes. Em 2010, a universidade inaugurou sua primeira sede própria, no bairro Baú. A partir daí, a expansão física passou a acompanhar o crescimento da oferta acadêmica.
De dois cursos a uma unidade voltada às engenharias
A história acadêmica também cresceu gradualmente. Engenharia Ambiental e Engenharia de Minas abriram o caminho em 2006. Depois, a universidade acrescentou Engenharia Metalúrgica, em 2008, e Engenharia Civil, em 2010. Mais tarde, Engenharia Mecânica passou a integrar a oferta da unidade.
Dessa forma, João Monlevade consolidou uma unidade da UEMG fortemente identificada com as engenharias. Atualmente, a estrutura acadêmica local reúne Engenharia Ambiental, Engenharia Civil, Engenharia de Minas, Engenharia Mecânica e Engenharia Metalúrgica.
A formação também ultrapassou os limites do município. Documentos acadêmicos da universidade registram, por exemplo, a oferta de Engenharia Civil fora da sede, em Guanhães, por meio de parceria institucional.
Ao mesmo tempo, a UEMG ampliou sua atuação em ensino, pesquisa e extensão. Em 2026, a unidade realizou a 12ª Semana de Engenharia e manteve programas e editais voltados à pesquisa, extensão, monitoria e formação acadêmica.
Laboratórios acompanharam a expansão

O crescimento não ocorreu apenas no número de cursos. A infraestrutura destinada às atividades práticas e à pesquisa também avançou.
Um dos principais marcos foi o Centro Tecnológico (CTec), localizado no bairro Baú. O complexo iniciou suas atividades em 2013 e passou por um processo de expansão a partir de 2017. A iniciativa envolveu novos equipamentos, modernização dos espaços e reorganização dos laboratórios.
Segundo a UEMG, o CTec passou a reunir complexos dedicados a áreas como análise instrumental, hidráulica, tratamento de minérios, geotecnia e engenharia civil, metalurgia e ensaios mecânicos. Além disso, a própria unidade acadêmica mantém espaços ligados à geologia, petrografia, mineralogia, química e biologia.
Assim, a estrutura laboratorial acompanhou a vocação acadêmica construída desde 2006. Mais do que salas de aula, a presença desses equipamentos criou condições para atividades práticas, pesquisas e projetos ligados às engenharias.
Direito abre uma nova etapa
Se as duas primeiras décadas foram marcadas principalmente pelas engenharias, 2026 trouxe uma mudança importante para o perfil acadêmico da UEMG João Monlevade.
Em junho, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão aprovou o projeto pedagógico do Bacharelado em Direito. Logo depois, em 10 de junho, o Conselho Universitário autorizou oficialmente a oferta do curso na unidade.
A página atual da graduação informa que o curso será presencial, noturno, terá 40 vagas e duração de cinco anos. O ato de regulação indicado pela própria universidade é a Resolução CONUN/UEMG nº 711, de 10 de junho de 2026.
Portanto, a chegada de Direito representa mais do que a inclusão de outra graduação. Pela primeira vez, a unidade passa a avançar para uma grande área de formação diferente das engenharias.
A mudança também amplia o público potencial da universidade em João Monlevade e no Médio Piracicaba. Além disso, pode marcar o início de uma nova fase de diversificação acadêmica depois de duas décadas de forte especialização tecnológica.
Uma universidade ligada à história recente da cidade
Os 20 anos da UEMG também ajudam a contar parte da transformação do ensino superior em João Monlevade. Em 2006, a instituição começava com dois cursos e utilizava uma escola estadual para suas atividades. Duas décadas depois, mantém estrutura própria, laboratórios especializados e uma oferta acadêmica mais ampla.
Ao mesmo tempo, a expansão ocorreu em uma cidade cuja economia mantém relação histórica com a indústria, a mineração e a siderurgia. Por isso, a predominância das engenharias ao longo desses 20 anos não surgiu por acaso. Ela acompanhou características econômicas do município e da região.
Agora, porém, a autorização de Direito acrescenta outro elemento a essa trajetória. Assim, o aniversário de 20 anos encontra a UEMG diante de uma transição: preservar a formação tecnológica construída desde 2006 e, ao mesmo tempo, ampliar seu perfil acadêmico.
O que falta conhecer sobre esses 20 anos?
Embora a UEMG mantenha registros importantes sobre sua trajetória, alguns números podem dimensionar melhor o impacto da instituição sobre João Monlevade e a região.
Entre eles estão o total de profissionais formados desde 2006, o número atual de estudantes, professores e técnicos, a quantidade de projetos de pesquisa e extensão em andamento e a origem geográfica dos alunos.
Esses indicadores ajudam a responder uma questão que vai além da comemoração: qual foi o impacto efetivo da presença da universidade estadual sobre a formação profissional e o desenvolvimento regional durante essas duas décadas?
Além disso, a autorização de Direito abre outras perguntas. Entre elas estão os próximos passos para a implantação da graduação, os investimentos necessários e a possibilidade de criação de novos cursos no futuro.
Dos primeiros cursos aos próximos 20 anos
A trajetória da UEMG João Monlevade pode ser resumida por uma sequência de expansão. Primeiro vieram Engenharia Ambiental e Engenharia de Minas. Depois, a universidade ganhou sede própria, novos cursos e infraestrutura laboratorial. Agora, aos 20 anos, a autorização de Direito aponta para a diversificação da unidade.
A cerimônia desta sexta-feira marca essa trajetória. Entretanto, o aniversário de sábado também projeta uma pergunta para o futuro: como será a UEMG João Monlevade nas próximas duas décadas?
A resposta dependerá dos novos cursos, dos investimentos públicos, da infraestrutura e da capacidade de ampliar ensino, pesquisa e extensão. Contudo, o ponto de partida já está documentado: em 26 de setembro de 2006, a UEMG começou em João Monlevade com duas engenharias. Vinte anos depois, a universidade chega ao aniversário preparando uma nova etapa de sua história.
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