Secretaria Municipal de Saúde reuniu profissionais da Atenção Primária para discutir os transtornos mentais mais frequentes; Município mantém CAPS Infantojuvenil e prepara nova sede com investimento superior a R$ 2,1 milhões
JOÃO MONLEVADE (MG) — A Secretaria Municipal de Saúde de João Monlevade realizou, nesta quarta-feira (12), uma nova etapa de capacitação dos profissionais da rede. O objetivo foi ampliar a identificação, a avaliação e o manejo dos transtornos mentais mais frequentes na Atenção Primária à Saúde.
O encontro reuniu médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, dentistas, agentes comunitários, agentes de endemias e outros servidores municipais. As atividades ocorreram durante todo o dia, em duas turmas.
A capacitação aconteceu no auditório Leonardo Diniz Dias, na sede da Prefeitura. A Divisão de Saúde Mental coordenou a atividade em parceria com a Atenção Primária à Saúde (APS).
Segundo a Prefeitura, este foi o segundo encontro do projeto. Além disso, uma terceira etapa está prevista para dezembro.
Embora a atividade não tenha tratado exclusivamente do público infantojuvenil, ela chama atenção para uma área que ganhou estrutura própria em João Monlevade nos últimos anos: o atendimento a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico.
Desde 2022, o município mantém um serviço especializado. Posteriormente, a estrutura evoluiu para o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS IJ), hoje integrado à Rede de Atenção Psicossocial e habilitado pelo Ministério da Saúde.
Saúde mental está presente em 30% dos atendimentos da Atenção Primária
Durante a capacitação, a coordenadora da Divisão de Saúde Mental, Eliana Bicalho Ferreira de Almeida, destacou a frequência das questões relacionadas à saúde mental nas unidades básicas.
Segundo ela, cerca de 30% dos atendimentos realizados na Atenção Primária apresentam algum componente relacionado à saúde mental.
O dado ajuda a explicar a importância de preparar os profissionais das unidades básicas para reconhecer sinais de sofrimento psíquico. Afinal, muitas vezes é nesse primeiro contato com o paciente que surgem indícios de que algo precisa de maior atenção.
Além disso, a Atenção Primária funciona como uma das principais portas de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, reconhecer precocemente uma situação que exige acompanhamento especializado pode evitar agravamentos e melhorar o encaminhamento dentro da própria rede.
“Essa capacitação é muito produtiva e pretendemos fazer o terceiro encontro em dezembro. Esse encontro dos profissionais de saúde é muito necessário, pois 30% dos atendimentos na Atenção Primária à Saúde apresentam algum componente relacionado à saúde mental e é de grande importância trocarmos experiências com o objetivo de realizarmos uma avaliação clínica adequada aos nossos pacientes”, afirmou Eliana, segundo a Prefeitura.
Profissionais discutem situações encontradas no atendimento
Os trabalhos tiveram a participação da coordenadora da Divisão de Saúde Mental e das médicas Geysa Carvalho Mendes, Marcella Drumond Bicalho e Rosângela Guimarães Ribeiro, psiquiatra do município.
A secretária municipal de Saúde, Raquel Paiva Drumond, também participou da atividade.
Além das exposições técnicas, os profissionais compartilharam experiências vividas durante os atendimentos. Dessa forma, o encontro permitiu discutir situações encontradas diariamente nos serviços municipais.
Essa troca tem importância especial na saúde mental. Isso porque os transtornos podem aparecer associados a diferentes queixas clínicas. Portanto, nem sempre o paciente chega ao sistema de saúde apresentando inicialmente uma demanda psiquiátrica ou psicológica.
Crianças e adolescentes contam com serviço especializado
No atendimento infantojuvenil, João Monlevade passou por uma mudança importante a partir de 2022.
Naquele ano, o município inaugurou o então Serviço de Saúde Mental Infantojuvenil. A proposta era oferecer atendimento multiprofissional a crianças e adolescentes com transtornos mentais.
Na implantação, a equipe prevista incluía psiquiatra, pediatra especializado em saúde mental infantil e psicólogos.
Posteriormente, o serviço passou a funcionar como CAPS Infantojuvenil. A unidade atende crianças e adolescentes em sofrimento psíquico, inclusive casos de transtornos mentais severos e persistentes.
Além disso, o serviço acompanha problemas relacionados ao uso de substâncias e outras situações que afetam o desenvolvimento emocional e social.
Rede de atendimento vai além da área da Saúde
O atendimento às crianças e aos adolescentes não depende apenas dos profissionais da Saúde.
O CAPS IJ também atua de forma articulada com áreas como Educação, Assistência Social, Cultura, Esporte, Lazer e sistema de Justiça.
Por isso, a identificação de uma situação de sofrimento pode começar em diferentes lugares. A escola, a família, as unidades básicas e outros serviços públicos podem perceber sinais que indiquem a necessidade de acompanhamento.
A articulação entre esses setores se torna ainda mais importante quando a situação exige uma resposta que ultrapassa o atendimento clínico.
Procura pelo serviço cresceu nos primeiros anos
Os registros municipais disponíveis mostram que a procura pelo atendimento infantojuvenil cresceu rapidamente nos primeiros anos.
Em 2023, quando o serviço ainda era denominado Sesamo IJ, a Prefeitura informou a realização de mais de 2.400 atendimentos em um ano. Aproximadamente 700 crianças e adolescentes receberam atendimento naquele período.
Diante do aumento da demanda, o serviço passou a funcionar em um imóvel maior.
Entretanto, é necessário fazer uma ressalva: esses números são anteriores ao atual estágio do CAPS IJ. Portanto, eles não representam a quantidade atual de usuários.
Ainda assim, os dados mostram que a saúde mental infantojuvenil já apresentava procura relevante pouco depois da implantação do serviço.
Para conhecer o cenário de 2026, será necessário obter novos indicadores da Secretaria Municipal de Saúde. Entre eles estão o número de usuários acompanhados, atendimentos realizados, novos encaminhamentos e eventual demanda reprimida.
CAPS IJ completou quatro anos em 2026
O serviço completou quatro anos de implantação em maio de 2026. Nesse período, avançou em sua integração à Rede de Atenção Psicossocial.
Em março de 2025, o Ministério da Saúde aprovou a habilitação da estrutura como Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil.
Com isso, o serviço passou a integrar formalmente a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Na ocasião, a Prefeitura também informou que a estrutura municipal já havia recebido reconhecimento da Secretaria de Estado de Saúde e contava com recursos estaduais.
Assim, o serviço criado pelo Município avançou em sua institucionalização e passou a integrar uma rede que ultrapassa os limites de João Monlevade.
Nova sede terá investimento superior a R$ 2,1 milhões
Outro avanço está previsto para a estrutura física do CAPS Infantojuvenil.
Em abril de 2026, o Ministério da Saúde autorizou o início da construção de uma nova unidade em João Monlevade. O projeto integra o Novo PAC Saúde.
O investimento divulgado chega a R$ 2.143.000.
A nova estrutura deverá ampliar as condições de atendimento oferecidas às crianças, aos adolescentes e às famílias.
Além disso, a construção mostra uma mudança de escala do serviço. Inicialmente, o Município mantinha integralmente a estrutura. Depois, vieram o reconhecimento estadual e a habilitação federal.
Agora, o CAPS IJ também contará com investimento destinado a uma sede própria.
Escolas também fazem parte da rede de atenção
A Educação representa outro ponto importante dessa rede.
Desde 2022, a rede municipal de ensino conta com psicólogos e assistentes sociais que atuam junto aos estudantes, professores e à comunidade escolar.
Dessa forma, situações percebidas dentro da escola podem chegar à rede de Saúde quando houver necessidade de avaliação ou acompanhamento clínico especializado.
Entretanto, existe um cuidado importante nesse processo.
Nem toda dificuldade escolar, alteração de comportamento ou sofrimento emocional representa um transtorno mental. Por isso, a avaliação adequada deve evitar a medicalização automática de comportamentos de crianças e adolescentes.
Nesse cenário, capacitação e atuação multiprofissional ajudam a diferenciar situações que podem receber acompanhamento no próprio território daquelas que precisam de atendimento especializado.
Quantas crianças e adolescentes são atendidos atualmente?
A capacitação realizada nesta semana também abre espaço para uma pergunta importante: qual é a dimensão atual da demanda por saúde mental infantojuvenil em João Monlevade?
Alguns indicadores ainda precisam ser apresentados publicamente para responder à questão.
Entre eles estão o número de crianças e adolescentes atualmente acompanhados pelo CAPS IJ, a quantidade de novos atendimentos realizados em 2024, 2025 e 2026 e o tempo médio entre o encaminhamento e a primeira avaliação.
Também é importante conhecer a composição completa da equipe e saber se existe fila de espera.
Outro dado relevante é o perfil das demandas. Saber quais situações aparecem com maior frequência nos encaminhamentos pode ajudar a compreender as necessidades das famílias e orientar as políticas públicas.
Além disso, conhecer o fluxo entre escolas, unidades básicas, CAPS IJ, Conselho Tutelar e demais serviços ajudaria a mostrar como essa rede funciona na prática.
Sem esses dados atualizados, não é possível afirmar se a demanda aumentou ou diminuiu nos últimos três anos. Da mesma forma, ainda não é possível dimensionar uma eventual necessidade de ampliação das equipes.
Identificar a demanda é apenas parte do desafio
Capacitar profissionais para reconhecer transtornos e situações de sofrimento mental representa um passo importante. Entretanto, a identificação precisa vir acompanhada de capacidade de resposta.
Quanto mais eficiente for a Atenção Primária para reconhecer pacientes que precisam de acompanhamento, maior também poderá ser a procura por consultas e atendimento multiprofissional.
Além disso, parte desses pacientes poderá precisar dos serviços especializados.
Por isso, a avaliação da política municipal de saúde mental deve considerar duas dimensões: a capacidade de identificar a demanda e a capacidade de atendê-la.
Em João Monlevade, a criação do CAPS IJ, a habilitação pelo Ministério da Saúde e o investimento em uma nova sede mostram uma expansão da estrutura.
Agora, a divulgação dos indicadores atualizados poderá revelar se esse crescimento acompanha as necessidades das crianças, dos adolescentes e das famílias atendidas.
Em números
30% — estimativa apresentada pela Divisão de Saúde Mental para a parcela dos atendimentos da Atenção Primária que possui algum componente relacionado à saúde mental.
2022 — ano de implantação do Serviço de Saúde Mental Infantojuvenil de João Monlevade.
Mais de 2.400 atendimentos — volume registrado pelo serviço no primeiro ano de funcionamento divulgado pela Prefeitura.
Cerca de 700 crianças e adolescentes — público atendido naquele período.
4 anos — tempo de implantação completado pelo serviço em 2026.
R$ 2.143.000 — investimento anunciado para a construção da nova sede do CAPS IJ.
Perguntas frequentes
A capacitação desta semana tratou exclusivamente da saúde mental de crianças e adolescentes?
Não. O encontro abordou os transtornos mentais mais frequentes na Atenção Primária à Saúde e reuniu profissionais de diferentes áreas. Entretanto, João Monlevade possui uma estrutura específica destinada à saúde mental infantojuvenil.
João Monlevade possui CAPS para crianças e adolescentes?
Sim. O município mantém o Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil, o CAPS IJ.
Quem pode ser atendido pelo CAPS IJ?
O serviço atende crianças e adolescentes em sofrimento psíquico, inclusive casos severos ou persistentes e outras situações que afetem o desenvolvimento emocional e social.
Quantas crianças e adolescentes são atendidos atualmente?
A Prefeitura não apresentou esse número na divulgação da capacitação. O dado mais detalhado disponível no material analisado refere-se ao primeiro ano do serviço, quando foram registrados mais de 2.400 atendimentos a aproximadamente 700 crianças e adolescentes.
O CAPS IJ terá sede própria?
Sim. O investimento anunciado para a construção da nova unidade em João Monlevade é de R$ 2,143 milhões.
Haverá novas capacitações?
Sim. Segundo a coordenadora da Divisão de Saúde Mental, um terceiro encontro está previsto para dezembro.
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